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6 alternativas ao sal para tirar o gelo do passeio sem estragar o chao

Pessoa a espalhar sal num caminho gelado e coberto de neve, com balde e pá ao lado.

Porque o sal estraga o chão (e o que fazer em vez disso)

Quando a geada aperta, o passeio pode ficar tão liso que basta um passo em falso. A tentação é pegar no sal de cozinha, porque é rápido e parece resultar. Só que essa “vitória” costuma vir com um preço: manchas, corrosão, pavimento a esfarelar, plantas afetadas e patas de animais irritadas.

Se o objetivo é manter o caminho praticável sem dar cabo do chão, há opções simples e acessíveis. Algumas nem sequer derretem o gelo - mas fazem algo igualmente importante: dão tração e ganham tempo até a temperatura subir e o sol ajudar.

O cloreto de sódio baixa o ponto de congelação, mas infiltra-se em juntas, poros e microfissuras. Depois, com ciclos de gelo/degelo, a água expande e o pavimento começa a lascar e a descamar - especialmente em betão mais poroso, pedra calcária (comum na calçada portuguesa), ladrilhos e juntas frágeis. Também acelera a corrosão em metais próximos (grades, parafusos, bases de corrimão).

Regra prática: o sal “funciona”, mas muitas vezes sai caro em manutenção. A abordagem mais segura é combinar:

  • remoção mecânica cedo
  • um material de tração
  • e só se necessário um descongelante menos agressivo (em pouca quantidade)

Nota útil: muitos descongelantes deixam de ser eficazes quando está muito frio; em vários casos, abaixo de cerca de -7 ºC a -10 ºC, a tração vale mais do que insistir em “derreter”.

1) Areia grossa ou gravilha fina (tração imediata)

Não derrete, mas reduz bastante o risco de escorregar e continua a funcionar mesmo com frio intenso. É uma boa escolha para betão, granito e zonas onde a estética não é a principal preocupação.

Opte por um grão relativamente grosso (tipo “areia lavada”/gravilha fina): agarra melhor do que pó. No fim, varra para não entupir sarjetas e para não levar grãos para dentro de casa (podem riscar pavimentos).

2) Areia de gato não aglomerante (ou granulado mineral)

A versão não aglomerante (argila/mineral) é tração “pronta a usar”, prática para degraus e troços curtos. Pode aplicar à mão com luvas ou com um copo, e geralmente fixa melhor em pontos onde a areia tende a escorrer.

Evite as perfumadas e as aglomerantes: quando descongela, pode virar pasta, colar às juntas e deixar resíduos difíceis de remover (além de ser mais irritante para animais).

3) Serrim, aparas de madeira ou casca triturada (aderência “macia”)

Formam uma camada que quebra a superfície escorregadia, útil em caminhos de jardim, zonas com pavimento delicado e entradas onde não quer riscar a pedra.

Use com moderação: se chover depois, pode criar uma mistura escura e escorregadia. Varra assim que a passagem estiver segura para não “tingir” juntas e cantos.

4) Cinza de lareira (com parcimónia)

Quando está bem seca, melhora a tração e pode ajudar a absorver humidade à superfície. Continua a ser usada por ser barata e estar à mão.

Dois alertas: suja muito (mancha pedra clara e juntas) e é alcalina (pode prejudicar relvados/canteiros). Guarde para pequenas áreas, longe de zonas ornamentais e de entradas interiores.

5) Ureia (fertilizante) como descongelante suave

A ureia aparece em alguns descongelantes por ser, em geral, menos corrosiva do que o sal de cozinha. Costuma resultar melhor em gelo fino e com frio moderado (muitas vezes, perde eficácia quando a temperatura desce bastante).

Ponto crítico: em excesso pode “queimar” plantas e deixar escorrências pegajosas. Aplique só o mínimo indispensável e evite usar junto a canteiros, raízes expostas e grelhas de drenagem.

6) Acetato de cálcio e magnésio (CMA) - a opção “amiga do betão”

O CMA é conhecido por ser menos agressivo para betão e por reduzir o risco de corrosão associado a sais tradicionais. Faz sentido em escadas, entradas de prédio e zonas onde reparar o pavimento é caro.

Trade-offs reais: costuma ser mais caro, pode deixar algum resíduo e pode atuar de forma mais lenta. Ainda assim, para preservar superfícies, é frequentemente a opção mais “equilibrada” quando precisa mesmo de degelo.

Como aplicar sem estragar o pavimento

A diferença entre “resolveu” e “estragou o chão” muitas vezes está na forma de aplicar:

  • Raspe neve/gelo cedo, antes de compactar (pá de plástico ou vassoura dura; evite metal em pedra sensível e calçada).
  • Não use água quente: o choque térmico pode agravar fissuras, e a água volta a gelar.
  • Aplique pouco e de forma localizada, sobretudo em juntas, degraus e zonas de passagem (onde o pé precisa de aderência).
  • Evite “montes”: desperdiça, cria lama ao derreter e aumenta a sujidade dentro de casa.
  • Quando a temperatura subir, varra e, se fizer sentido, lave ligeiramente para não deixar resíduos a secar na superfície.
  • Se houver animais, privilegie tração (areia/gravilha) e evite produtos perfumados ou irritantes.

Um guia rápido para escolher (sem complicar)

Opção O que faz melhor Principal “senão”
Areia/gravilha Tração em qualquer frio Suja e obriga a varrer
Ureia Degelo moderado com menor corrosão Pode prejudicar plantas se exagerar
CMA Degelo com menor agressão ao betão Mais caro e pode deixar resíduo

No fundo, nem tudo tem de “derreter já”. Muitas vezes, tornar o passeio seguro por algumas horas (com tração) e retirar o gelo cedo é a solução mais eficaz - e a mais amiga do pavimento.

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