A noite em que percebi que a minha air fryer podia estar a dar as últimas foi numa terça-feira. Atirei lá para dentro umas batatas fritas congeladas, vi-as meio de lado a partir do sofá e ouvi aquele ronco familiar da ventoinha, como um secador de cabelo minúsculo preso numa caixa. O jantar foi… aceitável. Estaladiço, salgado, previsível. E vagamente deprimente.
Ao lado, em cima da bancada, uma máquina nova estava ali, a piscar em silêncio: uma “multicooker” compacta e quadrada que um amigo me tinha praticamente obrigado a experimentar. Nove ícones pequeninos brilhavam no painel: air fry, vapor, grelhar, assar, saltear, cozedura lenta, cozedura sob pressão, desidratar, reaquecer.
Olhei para a minha fiel air fryer e depois para este canivete suíço de calor e botões.
Alguma coisa na cozinha tinha acabado de mudar.
De air fryer de um truque só a aliada de cozinha 9-em-1
Passe alguns minutos numa cozinha moderna e quase dá para ouvir os electrodomésticos a competirem por espaço. Torradeira volumosa. Panela de ferro fundido pesada. Panela de arroz que usa duas vezes por mês. E depois, algures no meio, a air fryer, a zumbir corajosamente, a fazer uma coisa mesmo bem… e pouco mais.
A nova geração de multicookers 9-em-1 entra nesse barulho e muda as regras em silêncio. Começa com batatas fritas e asas, como sempre. Depois, numa noite, toca em “vapor” para uns brócolos. No dia seguinte, experimenta um chili em cozedura lenta. De repente, isto já não é um gadget - é a forma “por defeito” de cozinhar durante a semana.
Uma amiga minha, a Léa, trabalha muitas horas e jurava a pés juntos pela air fryer. Gabava-se de nuggets congelados em 12 minutos como se fossem uma obra-prima culinária. Depois comprou um modelo 9-em-1 “só para experimentar cozinhar arroz sob pressão”.
Três semanas mais tarde, a air fryer estava desligada e empurrada para o fundo do armário. O novo aparelho fazia-lhe papas de aveia cortada em aço de manhã em “cozedura lenta”, caril de legumes em “saltear” e depois “pressão”, e lombos de salmão em “grelhar” à noite. O grande argumento de venda da air fryer - a rapidez - começou a parecer um pouco unidimensional ao lado daqueles nove botõezinhos a tratar de refeições completas.
Há uma razão simples para esta mudança parecer tão radical. As air fryers venderam-nos uma promessa única: comida estaladiça com menos óleo. As multicookers com função de air fry viram o guião ao contrário e começam pela versatilidade.
Não se limita a fritar. Doura cebola, cozinha dumplings a vapor, faz um banana bread no forno, reaquece sobras sem as secar, desidrata fatias de maçã para snacks e, ainda assim, deixa asas de frango bem estaladiças na noite do jogo. Uma máquina, nove métodos de cozedura e muito menos tralha.
Depois de ver a mesma panela dourar, fervilhar e, por fim, cozinhar sob pressão com suavidade em menos de uma hora, a air fryer “solo” começa a parecer estranhamente limitada - como um telemóvel que só envia SMS.
Como este gadget 9-em-1 muda mesmo a sua rotina diária
O primeiro momento “aha” com estas máquinas costuma vir de algo muito banal. Deita um punhado de legumes - talvez cenouras e curgete - carrega em “vapor” durante uns minutos, abre a tampa, rega com um fio de óleo e depois toca em “air fry”.
Em menos de 15 minutos, tem legumes tenros, chamuscados, quase ao nível de restaurante, na mesma panela, com um único recipiente para lavar. Sem malabarismos de frigideiras. Sem pré-aquecer o forno. E a parte que parece quase luxuosa? Mal ficou a pairar em cima do fogão. A máquina tratou das partes “chatas” por si.
Todos já passámos por isso: chega a casa, abre o frigorífico e sente aquela ansiedade de fundo - “o que é que eu cozinho que não seja deprimente?”. Com um 9-em-1, essa ansiedade tende a diminuir.
Imagine esta sequência pós-trabalho: deita arroz e água na panela, coloca uma grelha metálica por cima, pousa dois lombos de salmão congelados em cima e carrega em “pressão” por alguns minutos. Quando terminar, muda para “grelhar” para estalar a superfície do peixe. Uma panela. Duas camadas. Um jantar que parece ter sido planeado.
Quem acompanha os seus hábitos de cozinha com estes gadgets costuma dizer a mesma coisa: acabam por comer menos refeições congeladas sem terem de “lutar” conscientemente contra isso.
A lógica por trás dos nove modos tem menos a ver com um painel vistoso e mais com energia e tempo. Uma air fryer normal dispara ar quente muito rápido. Uma multicooker com nove métodos brinca com temperatura, humidade e pressão.
O vapor preserva nutrientes; a pressão reduz tempos de cozedura de leguminosas e cereais; grelhar e air fry tratam da textura; a cozedura lenta trabalha enquanto está fora de casa. De repente, um tacho de grão seco deixa de ser um projecto de fim-de-semana. Um corte de carne rija não precisa de uma tarde inteira. E a pizza de ontem vai para “reaquecer” em vez de ficar elástica no micro-ondas.
Um único aparelho empurra-o discretamente para cozinha “a sério”, não apenas para tornar estaladiças comidas de conveniência.
Fazer a mudança: pequenos hábitos, grande diferença
O segredo não é atirar a air fryer ao lixo de um dia para o outro. É redireccionar devagar o seu “cozinhar por defeito” para a nova máquina. Comece por uma franja do dia, como os jantares durante a semana.
Escolha duas ou três receitas que usem vários modos: saltear + pressão para um caril, vapor + air fry para legumes, assar + grelhar para um gratinado rápido. Deixe o 9-em-1 ligado na tomada, à vista, no sítio onde a air fryer costumava estar. Essa pequena mudança - o que fica visível - tem um efeito enorme no que realmente usa às 19h30 numa terça-feira cansativa.
A maior armadilha é tentar dominar tudo de uma vez. Nove funções podem parecer um cockpit. Anda a percorrer modos, a duvidar de cada botão e acaba por… ligar o forno antigo por frustração.
Comece pelo que já lhe é familiar. Use “air fry” exactamente como usava a máquina antiga. Depois, um dia, já a cozinhar, mude para “assar” e faça um pequeno tabuleiro de bolachas. Noutra noite, teste “cozedura lenta” para um guisado enquanto trabalha a partir de casa. Pequenas experiências fixam hábitos novos muito melhor do que promessas ambiciosas do género “esta semana vou usar os nove modos”.
Sejamos honestos: ninguém faz isto todos os dias.
“Quando deixei de a tratar como uma air fryer chique e passei a tratá-la como um fogão dentro de uma caixa, tudo mudou”, diz Marc, pai de dois filhos, que agora usa o forno talvez duas vezes por semana. “Os meus miúdos acham que fiquei melhor cozinheiro. Não fiquei. Só carrego em botões diferentes.”
- Comece onde está
Use o modo air fry para os seus congelados habituais e depois acrescente uma função nova por semana. - Pense “uma panela, dois modos”
Saltear e depois pressão; vapor e depois grelhar; cozedura lenta e depois air fry para finalizar - menos loiça, máximo sabor. - Reserve espaço na bancada
O gadget que vê é o gadget que usa; dê ao 9-em-1 o lugar de destaque, não o canto empoeirado. - Evite reaquecimentos secos
Use “reaquecer” ou um “assar” suave para sobras em vez do micro-ondas; nota-se a diferença rapidamente. - Aceite uma curva de aprendizagem
As primeiras tentativas podem sair um pouco passadas ou pouco temperadas. Não é falhanço - é afinação.
Para lá da tendência: o que isto diz sobre a forma como realmente cozinhamos agora
Ainda há pouco tempo, mostrar a cozinha significava tachos pesados de cobre e um forno grande e brilhante. Hoje, cada vez mais pessoas gabam discretamente os seus gadgets de bancada. A mudança de uma air fryer de uso único para uma multicooker 9-em-1 conta uma história maior do que “brinquedo novo vence brinquedo velho”.
Reflecte casas mais pequenas, horários imprevisíveis e uma geração que quer comida caseira sem passar meia vida de pé em cima do fogão. Ter uma máquina que frita, faz vapor, assa, cozinha sob pressão, salteia, cozinha lentamente, grelha, desidrata e reaquece tem menos a ver com ser “tech” e mais com admitir uma coisa simples: estamos cansados, estamos ocupados e, ainda assim, queremos comida que saiba a cuidado.
Isto não é sobre perfeição nem sobre cozinhar como um chef. Algumas noites vai queimar a cebola no “saltear” ou esquecer-se de raspar o fundo do tacho. Alguns domingos vai desistir da preparação de refeições e viver de torradas. Ainda assim, aquele rectângulo silencioso na bancada continua a oferecer atalhos para comida a sério: feijão feito de raiz sem demolha, legumes congelados que sabem bem, um bolo feito à pressa antes de chegarem visitas.
Adeus, air fryer solitária. Olá, gadget de cozinha que rosna menos, faz mais e nos empurra devagar para hábitos melhores sem nos dar lições.
A questão não é se esta máquina 9-em-1 consegue substituir a sua air fryer. É que tipo de vida culinária quer ter no meio dos seus dias reais e caóticos.
| Ponto-chave | Detalhe | Valor para o leitor |
|---|---|---|
| 9-em-1 vence uso único | Combina air fry, vapor, assar, saltear, cozedura lenta, cozedura sob pressão, grelhar, desidratar, reaquecer | Liberta espaço na bancada e substitui vários electrodomésticos |
| Cozinhar numa panela, com vários modos | Use duas ou três funções na mesma panela para refeições completas | Poupa tempo, reduz a loiça e melhora os jantares durante a semana |
| Curva de aprendizagem suave | Comece com air fry e adicione um modo novo por semana | Torna a transição da air fryer mais suave e realista |
FAQ:
- Um gadget 9-em-1 é mesmo melhor do que uma air fryer clássica? Para a maioria das pessoas, sim, porque inclui o modo air fry mais oito outras formas de cozinhar, pelo que serve para muito mais do que snacks congelados.
- Consegue substituir completamente o forno? Nem sempre, mas dá conta de uma quantidade surpreendente de assados, “roasts” e grelhados, sobretudo para agregados pequenos ou apartamentos.
- A comida fica tão estaladiça como numa air fryer normal? Na maioria dos modelos modernos, o nível de crocância é muito semelhante, porque usam tecnologia de ar quente rápido parecida, com melhor controlo de calor e humidade.
- É complicado usar os nove métodos de cozedura? O painel pode intimidar ao início, mas só precisa de dois ou três modos para começar; o resto pode esperar até se sentir mais confiante.
- Que tamanho devo comprar para uma família? Para duas a quatro pessoas, procure uma capacidade a rondar 5–7 litros para conseguir cozinhar prato principal e acompanhamentos numa só leva sem encher demasiado.
Comentários
Ainda não há comentários. Seja o primeiro!
Deixar um comentário