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Pica pau tradicional na frigideira tenro rapido e com molho de vinho branco

Pessoa mexendo almondegas num tacho de ferro fundido, com pão e azeitonas em volta sobre mesa rústica.

Há noites em que só apetece uma coisa: carne macia, alho a perfumar a cozinha e um molho onde se mergulha pão. Este pica-pau tradicional na frigideira faz isso sem complicar: 15 minutos, carne suculenta e molho de vinho branco feito a partir do “tostadinho” do fundo (o sabor que muita gente desperdiça).

A base é simples: cubos regulares, frigideira bem quente, cozinhar em porções e só terminar a carne no molho.

Porque é que o pica-pau às vezes fica rijo (e como evitar isso)

Quase sempre é por duas razões: cozer em vez de alourar (frigideira fria ou cheia) e passar do tempo (carne demasiado tempo ao lume).

O que ajuda mesmo:

  • Corte e tamanho: cubos de ~2–3 cm cozinham rápido e de forma uniforme. Se cortares contra as fibras, mastiga-se melhor.
  • Calor alto + porções pequenas: a carne precisa de contacto com a frigideira quente para ganhar cor. Se amontoares, larga água e endurece.
  • Selar e descansar: sela rápido, tira para um prato e só volta no fim. Esse “intervalo” ajuda a carne a reter sucos.
  • Atenção ao porco: para ficar tenro, evita ferver muito tempo no molho. Se tiveres termómetro, aponta para ~65–70 ºC no centro, e descansa 2 minutos.

O método de frigideira que dá carne tenra em 15 minutos

Pensa numa sequência curta: temperar → selar → repousar → molho → envolver. Uma frigideira larga (inox ou ferro) dá melhor fundo para o molho; antiaderente funciona, mas costuma criar menos “resíduos dourados”.

Ingredientes (2–3 pessoas, estilo petisco)

  • 450–500 g de carne em cubos (lombo, vazia, alcatra tenra; ou perna/lombo de porco em cubos pequenos)
  • 5–6 dentes de alho, laminados
  • 1 folha de louro (opcional)
  • 120 ml de vinho branco seco
  • 1 c. sopa de manteiga ou 2 c. sopa de azeite (podes combinar)
  • 1 c. chá de mostarda (opcional)
  • 1 c. chá de farinha (opcional, para engrossar ligeiro)
  • Sal e pimenta preta
  • Pickles/pepinos em rodelas ou azeitonas (opcional, para servir)
  • Salsa picada e/ou um toque de sumo de limão (no fim)

Passo a passo (com o ritmo certo)

  1. Seca e tempera a carne.
    Seca bem com papel de cozinha (faz diferença na cor). Sal e pimenta.
    Plano B para cortes mais firmes: junta ½ c. chá de bicarbonato (máx. para ~500 g), envolve e deixa 10 min. Passa por água rápida e seca muito bem. Se deixares demasiado tempo, pode ficar com textura estranha.

  2. Aquece a frigideira a sério.
    Frigideira larga, lume médio-alto. Aquece o azeite (e metade da manteiga, se usares) até estar bem quente.

  3. Sela em 2–3 voltas (sem encher).
    Espalha a carne com espaço entre cubos. Aloura 60–90 s por lado. Retira para um prato. Repete. Aqui queres cor, não “cozinhar até ao fim”.

  4. Alho e louro, muito pouco tempo.
    Baixa ligeiramente o lume. Junta o alho e o louro 20–30 s, só até perfumar. Se o alho escurecer, amarga.

  5. Desglaceia com vinho branco e raspa o fundo.
    Junta o vinho e raspa bem o fundo com colher de pau. Mantém o lume vivo 1–2 minutos para reduzir e “limpar” os sabores dourados. (Se cozinhas com chama a gás, afasta a frigideira do lume ao adicionar o vinho.)

  6. Dá corpo ao molho (se precisares).

    • Sem espessar: reduz mais 1–2 min até ficar ligeiramente mais brilhante.
    • Mais aveludado: dissolve a farinha em 1 c. sopa de água fria e junta, mexendo. A mostarda entra aqui.
  7. Volta a carne só para acabar.
    Reintroduz a carne e os sucos do prato. Envolve 1–2 min.
    Nota: com porco, deixa mais um pouco até ficar bem cozinhado (sem ferver longamente).

  8. Finaliza e serve.
    Desliga o lume, junta o resto da manteiga (se usares) para dar brilho e deixa repousar 2 min. Termina com salsa e, se gostares, 2–3 gotas de limão.

Pequenos detalhes que fazem o molho de vinho branco parecer “de tasca boa”

O objetivo é equilíbrio: acidez do vinho + gordura + fundo tostado.

Ajustes rápidos:

  • Ácido demais: junta um pouco mais de manteiga no fim (ou uma ponta de mel).
  • Aguado: reduz sem a carne por 1–2 minutos, lume mais alto.
  • Salgado: um gole de água quente, mexe e volta a reduzir.
  • Sem “punch”: pimenta preta moída na hora e um toque de limão ao servir.

Evita “cozinhar” o alho: ele deve aparecer no aroma, não na cor.

O que servir ao lado (para não estragar o ritmo)

O melhor acompanhamento é o que absorve o molho ou corta a gordura:

  • Pão rústico, papo-seco ou broa torrada
  • Batata frita fina (clássico) ou batata em cubos na air fryer
  • Arroz branco solto, para virar prato
  • Salada simples (alface, cebola roxa, vinagre suave)

Resumo rápido (para não falhar): - Selar em porções → carne mais tenra - Raspar o fundo com vinho → molho com sabor “a sério” - Alho só 20–30 s → aroma sem amargor

FAQ:

  • Posso fazer pica-pau com porco e continuar tenro?
    Sim. Usa cubos pequenos, sela rápido e termina no molho sem deixar ferver muito tempo. O bicarbonato (10 min) ajuda em cortes mais firmes.

  • Que vinho branco é melhor para o molho?
    Um branco seco e simples (por exemplo, Vinho Verde seco ou um regional leve). Evita vinhos doces.

  • Posso substituir manteiga por azeite?
    Podes. A manteiga no fim dá brilho e suaviza a acidez, mas não é obrigatória.

  • Como evito que o alho fique amargo?
    Lume mais baixo, poucos segundos, e desglacear logo a seguir. Se escurecer, já passou.

  • Dá para preparar com antecedência?
    Podes cortar e temperar antes. O ideal é cozinhar e servir na hora; ao reaquecer, a carne tende a secar e o molho perde vivacidade.

No fim, é um prato de intenção: frigideira quente, tempo curto e molho construído do fundo. O pão trata do resto.

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