A nota “claro! por favor, forneça o texto que deseja traduzir.” apareceu-me pela primeira vez colada num vaso de manjericão, ao lado de outra, “claro! por favor, indique o texto que pretende traduzir.” - ambas a servirem de lembrete para um “truque” de jardinagem que anda por aí há anos: colocar uma moeda no fundo do vaso. Isto importa porque muita gente faz isto para tentar evitar raízes apodrecidas, e o efeito pode ser exactamente o contrário do que se pretendia.
A ideia parece lógica e até tranquilizadora: a moeda taparia parcialmente o buraco e “disciplinaria” a saída de água. Só que a drenagem em vasos não tem nada de místico - é física básica. E vale a pena fazê-la bem, porque um vaso com drenagem fraca mata plantas devagar, sem grandes sinais de alarme.
De onde vem o truque da moeda (e o que ele promete)
O truque surge de um problema real: com o tempo, o substrato pode escorrer e bloquear o furo de drenagem, ou o furo ficar completamente encostado a um prato, sufocando a saída de água. A moeda entra como uma “tampa” improvisada para manter a terra afastada do buraco, deixando a água escoar pelas laterais.
Em vasos de barro mais antigos, era comum usar-se um caco de cerâmica curvo (“crock”) por cima do furo. A moeda é a versão moderna - mais pequena e quase sempre disponível. A promessa é directa: menos lama, menos entupimentos, menos encharcamento.
O problema é que essa promessa depende do comportamento real do vaso e do fundo quando se rega.
Funciona mesmo para melhorar a drenagem? Na maioria dos casos, não
Se a moeda ficar colada ao buraco, o efeito mais frequente é diminuir a área de escoamento. A água ainda sai, mas mais lentamente - e qualquer partícula fina (turfa, composto muito triturado) agarra-se ali e forma uma “rolha” com facilidade.
O ponto que raramente se diz: a drenagem do vaso depende sobretudo de três coisas - tamanho/quantidade de furos, estrutura do substrato (ar vs. finos) e se o fundo do vaso consegue “respirar” (não ficar encostado ao prato ou ao chão).
Há ainda um mito vizinho: “fazer uma camada de pedras/argila expandida no fundo melhora a drenagem”. Em muitos casos, isso cria uma zona saturada acima dessa camada (a tal água “pendurada”), mantendo as raízes mais tempo em excesso de humidade. Não é que a planta se afogue por causa das pedras; é que a água fica acumulada onde não queríamos.
A moeda, sozinha, não resolve este cenário. E se for de cobre, convém ter em conta que alguns metais podem libertar traços para o substrato com o tempo - raramente é grave, mas também não traz benefício.
Quando a moeda pode ajudar (e como fazê-lo sem piorar)
Há um caso em que a moeda pode ser útil: quando o problema não é o substrato, mas o contacto do furo com uma superfície plana (prato, chão, cachepô), ou quando a terra cai repetidamente e acaba a colmatar o buraco. Mesmo aí, a moeda deve ser vista como “grelha improvisada”, não como uma melhoria de drenagem.
Se quiser testar sem grandes riscos, siga esta regra prática:
- Escolha um vaso com pelo menos 1–3 furos verdadeiros (não apenas “marcados”).
- Coloque a moeda de lado ou ligeiramente inclinada, sem vedar o furo por completo.
- Garanta que o vaso fica elevado (pés de vaso, pedrinhas por baixo, suporte), para o furo não ficar abafado pelo prato.
- Use um substrato com boa estrutura: por exemplo, mistura com perlita/pedra-pomes/casca de pinheiro (consoante a planta).
Se a sua planta é de interior e vive dentro de um cachepô, a moeda costuma ser um falso foco: o verdadeiro problema é a água acumulada no fundo do cachepô e regas “a mais por via das dúvidas”.
“Se o buraco não respira, a planta também não”, disse-me uma vez um viveirista. Parece chavão, mas é mesmo isso.
O que fazer em vez disso: o truque simples que quase sempre resulta
Se o objectivo é melhor drenagem com menos chatices, há opções bem mais previsíveis do que uma moeda:
Malha/plástico rede no fundo (ou um filtro de café)
Não melhora a drenagem por si; melhora a regularidade: impede que o substrato fuja e reduz entupimentos sem bloquear o furo.Substrato certo para a planta
Suculentas e cactos pedem mistura muito mineral e solta. Tropicais precisam de retenção, mas com porosidade. “Terra universal” sozinha é muitas vezes densa demais em vaso.Vaso com furos e prato com folga
Se o prato encosta, eleve o vaso. Se a água ficar no prato, esvazie 10–15 minutos após a rega.Regar pela necessidade, não pelo calendário
A melhor drenagem do mundo não compensa regas a mais. Toque no substrato, levante o vaso, repare no peso.
Um mini-checklist (em 30 segundos)
- A água sai pelo fundo em menos de 1 minuto?
- O prato fica com água parada horas depois?
- O substrato fica compacto e “brilha” de tão encharcado?
- Há cheiro a mofo quando se mexe na terra?
Se respondeu “sim” a duas, o problema é o conjunto vaso+substrato+rotina - não a ausência de uma moeda.
| Ponto-chave | O que fazer | Ganho para a planta |
|---|---|---|
| Evitar entupimentos | Malha/filtro de café sobre o furo | Menos colmatação, menos perda de substrato |
| Aumentar drenagem real | Substrato mais arejado (perlita/pomes/casca) | Mais oxigénio nas raízes, menos apodrecimento |
| Garantir “respiração” | Elevar o vaso e não deixar água no prato | Escoamento consistente após a rega |
O veredicto: moeda no fundo do vaso vale a pena?
Como “truque” universal para melhorar drenagem, não. Pode até prejudicar, sobretudo em vasos com um único furo pequeno. Como improviso para impedir que a terra tape o buraco (e apenas se não o vedar), pode dar uma ajuda - mas continua a ser uma solução de recurso.
Se quer um resultado fiável, aposte no que quase nunca falha: furos desimpedidos, vaso elevado, substrato com estrutura e rega ajustada. É menos “viral”, mas é o que mantém as raízes saudáveis.
FAQ:
- A moeda no fundo do vaso impede a planta de “afogar”? Não propriamente. O afogamento vem de água a mais e falta de oxigénio nas raízes; a moeda não corrige substrato compacto nem rega excessiva.
- É melhor moeda ou pedras no fundo? Regra geral, nenhuma melhora a drenagem como se imagina. Prefira malha no furo e um substrato mais arejado.
- Posso usar uma moeda de cobre? Não é o ideal como regra, porque metais podem libertar traços com o tempo. Se usar, use apenas como “tampa” leve e assegure bom escoamento e vaso elevado.
- O que é mais importante: o vaso ou a terra? Ambos, mas a estrutura do substrato costuma ser o factor que mais muda tudo em vasos de interior.
- Como sei se a drenagem está má? Água a demorar a sair, prato sempre com água, substrato compacto e cheiro a mofo são sinais comuns.
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