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Porque muitas pessoas se sentem mentalmente dispersas depois de passarem o dia a fazer várias tarefas ao mesmo tempo.

Mulher preocupada olhando para o portátil numa cozinha, rodeada de papéis e copo de água.

O teu cérebro ainda está a zumbir quando fechas o portátil. Respondeste a mensagens no Slack durante uma chamada no Zoom, percorreste o Instagram entre e-mails, ouviste meio podcast enquanto “acabavas” um relatório. No papel, o dia de trabalho terminou, mas a tua cabeça parece um navegador com 47 separadores abertos e sem saber de onde vem a música.

Entras na cozinha e esqueces-te do que ias fazer. Pegas no telemóvel e ficas a olhar para ele, em branco. Tentas relaxar, mas os pensamentos saltam como pipocas numa frigideira quente.

Não estiveste a cavar valas. Estiveste “só” a clicar e a escrever.

Então porque é que te sentes tão mentalmente disperso?

Porque é que o multitasking deixa o teu cérebro em pedaços às 18h

Observa alguém à secretária hoje e parece quase normal. Um auricular, três janelas abertas, notificações a borbulhar no canto, dedos a alternarem entre teclado e telemóvel como uma coreografia silenciosa. À superfície, parece produtivo, até impressionante.

Por baixo, a atenção está a ser picada em fragmentos minúsculos. O cérebro não desliza suavemente de uma coisa para a outra. Dá solavancos e empanca, como um carro preso em primeira numa subida íngreme. No fim do dia, não há só cansaço: há uma estranha neblina mental, quase como jet lag sem avião.

Um psicólogo da University of London conduziu um estudo em que as pessoas tinham de fazer malabarismo com tarefas e responder a mensagens enquanto realizavam testes cognitivos. As pontuações de QI desceram para um nível semelhante ao de passar a noite inteira acordado. Não é apenas “sentir-se um bocado cansado”; é um impacto mensurável na nitidez com que o cérebro funciona.

Pensa no teu dia: respondes ao chefe, respondes à nota de voz de um amigo, vês o chat de grupo, passas os olhos nas notícias, voltas a uma folha de cálculo. Cada mudança parece pequena, quase invisível. Um olhar rápido. Uma resposta curta. E depois, a meio da tarde, já não consegues manter um pensamento estável por mais de alguns segundos e, em silêncio, perguntas-te se não estarás a “perder o juízo”.

A verdade simples é que o cérebro não faz realmente multitasking: ele alterna entre tarefas. Cada vez que saltas de uma coisa para outra, a mente tem de “reconfigurar” aquilo que estava a fazer. Isso custa energia, mesmo que não sintas o micro-esforço. Os cientistas cognitivos chamam-lhe o “custo de mudança”.

Esses custos acumulam-se. Pequenas porções de combustível mental queimadas ao longo do dia, deixando menos para foco, memória e regulação emocional. Ficas mais irritável, mais distraível, mais esquecido. Às 18h, não estás sem tempo. Estás sem atenção.

Como proteger o teu foco num mundo que adora o caos

Um método simples que realmente funciona: agenda “sprints de tarefa única”. São janelas curtas e rigorosas em que fazes apenas uma coisa. Vinte ou vinte e cinco minutos em que fechas separadores extra, silencias notificações e escolhes um único alvo: redigir o e-mail, editar o slide, terminar o formulário.

Põe um temporizador. Quando começa, mergulhas. Quando toca, paras, mesmo que estejas a meio de uma frase. Depois dás a ti próprio uma “pausa de ruído” de 5 minutos: uma olhadela rápida, alongar, chá, casa de banho. Parece quase infantilmente simples, mas este tipo de limite dá ao cérebro a oportunidade de ganhar profundidade em vez de passar a vida a roçar a superfície do teu dia.

Muita gente tenta isto uma vez, é interrompida duas vezes, e decide: “Eu simplesmente não sou uma pessoa focada.” Isso magoa, porque o problema não é carácter, é arquitectura. O teu ambiente está montado para falhares no trabalho profundo. As mensagens aparecem, os colegas fazem ping, as apps cutucam-te com bolinhas vermelhas.

A mudança suave é alterar uma coisa de cada vez. Talvez comeces por pôr o telemóvel noutra divisão nos primeiros 20 minutos da manhã. Ou silencias apenas uma app durante uma hora. Sejamos honestos: ninguém faz isto todos os dias sem falhar. Mas cada pequeno espaço protegido de foco é uma mini-reparação à tua atenção esturricada.

Já todos estivemos aí: aquele momento em que levantas os olhos do ecrã e sentes que a tua mente é uma secretária cheia de tralha que ninguém arruma há meses.

Agora imagina dar a essa secretária mental um pequeno ritual de arrumação. Podes experimentar uma “caixa de reinício da atenção” diária:

  • Escreve três coisas que queres mesmo terminar hoje.
  • Circula a que mais importa, caso tudo dê para o torto.
  • Bloqueia 25 minutos no teu calendário para essa única coisa.
  • Afasta as distrações do alcance físico durante esse bloco.
  • No fim do dia, regista um momento em que te sentiste verdadeiramente focado.

Isto não é sobre te tornares um robot de produtividade. É sobre lembrares, com gentileza, o teu cérebro de que ele tem permissão para se dedicar a fundo a uma coisa só, mesmo num mundo barulhento.

Viver com um cérebro que não foi feito para alternar sem parar

A sensação de dispersão depois de um dia de multitasking não é uma falha pessoal; é um choque de design. O nosso sistema nervoso evoluiu num mundo de sinais mais lentos e mais claros: uma conversa, uma caça, uma tarefa. Hoje, pede-se ao teu cérebro que responda a uma dúzia de mundos ao mesmo tempo - a urgência do teu chefe, a crise do teu amigo, o ciclo noticioso, o algoritmo.

Algumas pessoas reagem carregando ainda mais, tentando controlar cada minuto. Outras rendem-se e flutuam no fluxo das notificações. Entre esses extremos há um caminho mais silencioso: escolher algumas ilhas protegidas de foco no meio da tempestade. Não tens de consertar a tua vida inteira para a tua mente se sentir diferente amanhã. Às vezes, menos um separador, menos um “ping” silenciado, meia hora protegida - é a primeira fissura no caos.

Ponto-chave Detalhe Valor para o leitor
O cérebro não faz multitasking Alterna rapidamente, criando “custos de mudança” Explica porque te sentes drenado ao fazer malabarismo com tarefas
Sprints de tarefa única Blocos curtos e cronometrados focados numa única actividade Ferramenta concreta para recuperar clareza e eficiência
Ambiente acima da força de vontade Notificações e apps sequestram constantemente a atenção Troca a culpa de “sou preguiçoso” por “posso mudar a minha configuração”

FAQ:

  • Porque é que me sinto mais cansado depois de um dia “leve” de multitasking do que num dia ocupado mas focado? Porque o teu cérebro gasta energia extra a alternar entre tarefas, mesmo quando parecem pequenas ou fáceis. Essa carga cognitiva escondida pode ser mais exaustiva do que fazer uma coisa exigente num fluxo estável.
  • Algum tipo de multitasking é aceitável? Juntar uma actividade de baixa exigência atencional (como dobrar roupa) com algo mais mental (como ouvir um podcast) costuma ser tranquilo. O verdadeiro estrago vem de misturar várias tarefas de pensamento, como escrever enquanto respondes a chats.
  • Quanto tempo devo tentar manter o foco sem pausa? Muitas pessoas dão-se bem com blocos de foco de 20–30 minutos para começar. Podes esticar para 45–50 minutos quando parecer natural, mas não ganhas pontos bónus por sofrer maratonas de 3 horas.
  • E se o meu trabalho exigir resposta constante? Então o jogo é feito de janelas minúsculas: 15 minutos com o Slack em “ausente”, ou uma hora de manhã para trabalho profundo antes de voltares a abrir as comportas. Mesmo blocos curtos e previsíveis de foco podem ajudar muito.
  • Esta sensação de dispersão significa que tenho uma perturbação de atenção grave? Não necessariamente. A sobrecarga digital constante torna quase toda a gente mais distraível. Se isto já dura há muito tempo e afecta várias áreas da tua vida, falar com um profissional pode trazer clareza e alívio.

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